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A quimioterapia será efetiva contra este tipo de câncer?

O objetivo da quimioterapia antineoplásica é reduzir a população de células malignas a zero. Os estudos com drogas quimioterápicas demonstram que uma determinada porcentagem fixa da população de células neoplásicas é reduzida em cada ciclo de quimioterapia. Esta fração constante de células que é atingida pelo tratamento independe do número total das células. Por exemplo, se um ciclo de quimioterapia destrói 99% de células, um tumor com 1011células necessita seis ciclos para a eliminação [1011células] X [0,01]6 < 1. O crescimento do tumor ocorre entre os ciclos da quimioterapia. A efetividade do tratamento depende portanto, da dose e do intervalo entre as aplicações das medicações. Contudo, os tumores embora sejam de origem clonal (única célula) apresentam população celular que vai se tornando heterogênea com o tempo. As células adquirem resistência, alterações genéticas e muitas estão em diferentes fases do ciclo celular, inclusive em fases de latência. Em certos tumores sólidos a região central da lesão é pouco vascularizada e abriga estas células mais resistentes à quimioterapia (fase G0). A associação de outras drogas aumenta a probabilidade de efetividade. Outras modalidades terapêuticas como a cirurgia para retirada parcial do tumor pode estimular as células a se dividirem, facilitando a ação dos quimioterápicos.

Como escolher os quimioterápicos?

A escolha das drogas para o esquema de tratamento depende do tipo histológico do tumor. E, vários estudos são realizados para testar as drogas, com isto se evita utilizar drogas que sejam pouco efetivas e que apenas acrescentariam toxicidade. O esquema de drogas não pode ter medicamentos com ações antagônicas, isto é os mecanismos de ações das drogas precisam ser sinérgicos e complementares. Por outro lado, os efeitos colaterais não podem ser somatórios pois aumentaria a toxicidade. A dose dos medicamentos é escolhida de acordo com estudos anteriores e geralmente para crianças maiores de um ano são calculadas de acordo com a superfície corpórea mg/m2. Em crianças pequenas o calculo pode ser realizado pelo peso corpóreo.

Do que depende a resposta ao tratamento?

Além do tipo histológico do tumor vários aspectos individuais precisam ser considerados. Embora alguns pacientes apresentem aparente normalidade na função hepática e renal, ocorrem variações individuais no pico de concentração dos medicamentos, tempo de eliminação das drogas. A origem desta variabilidade é incerta. Aspectos genéticos parecem estar envolvidos e enzimas que participam do metabolismo das drogas podem estar alteradas, aumentado a toxicidade de alguns medicamentos. As diferenças genéticas na atividade da P-450 hepática, isoenzima que regula a metabolização de várias substâncias já tem sido bem demonstrada. Estas variabilidades individuais da metabolização e eliminação dos medicamentos exigem avaliações individualizadas dos pacientes com balanços precisos sobre os potenciais benefícios e as toxicidades das medicações utilizadas.

Dra Eliana M Caran- médica oncologista do GOP

Referência
Chabner BA. Clinical strategies for câncer treatment: the role of drugs.
In Cancer Chemotherapy & Biotherapy; Principles &Practies, 40 ed. Chabner BA, Lomgo DL(Ed)Lippincott Willians ET Wilkins 2006; 1-14

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